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2003/11/14

O AMOR É UMA DOCE DOENÇA. O AMOR É FODIDO!

2003/11/08

Perdidos
Sofrem os dois do mesmo mal, acham que não podem, não devem ser amados, apresentam razões distintas. É aí que se tocam sem saberem e é também por isso que se afastam. Não percebem que deviam permanecer juntos, que o encontro não foi um acaso. E perdem-se mais uma vez até se perderem para sempre...
Ter e Fazer, e onde fica o SER?
Dia
Um dia
igual, desigual,
há poeira no ar.
A mão doí
escreve por escrever,
falta-lhe o sabor do saber,
certeza existencial
a tocar no banal.
Um barco faz-se ao mar,
farto de ser porto de abrigo
de um homem escondido,
preso a um dia
que teima em não vir.

2003/11/06

FRAGMENTOS
Amanhã, outra vez amanhã. Um dia igual aos outros mas sem o ser. Existe sempre a esperança de que afinal seja diferente, embora se saiba interiormente que vai ser igual. Nada mudou, de há anos para cá, que no que tem de essencial este dia se repete, a única diferença é que estamos mais perto da morte. Única certeza. Qual o espaço para o sonho hoje em dia? Existir hoje, amanhã e esperar existir depois, existir por inteiro em cada momento. Iludirmo-nos com a imortalidade, nós que somos mortais mas que nos temos como contínuos, achamos que temos a existência assegurada. Só assim, se justifica a indiferença do olhar ou o não olhar.
Talvez
De noite uma cadela, de dia uma gata. Ser tudo e não ser nada!
Palavras
pintar
dançar
imaginar
inventar
pensar
contar
falar
calar
amar
desejar

escrever
ler
foder
sofrer
morrer
crescer
viver

TU
" És uma caixa azul cheia de nada,
tens pés de anjo
e olhos de areia.
O tempo não fica,
estás separado de ti.
Não há para onde voltar,
trazes um nó na mão.
Devia existir um mistério a descobrir,
mas procuras o veneno,
queres destruir o mal.
Teimas no não,
um corpo nú,
dormes a sorrir.
Olhas, mas não sei que vês.
As palavras estão despidas
e o silêncio é belo.
O óbvio é sempre o mais difícil
e o amor fica por dizer" Esmeralda
AMOR

"Sol vivo e o vento que arrasta consigo o rumor do mar. Cheguei agora do não-ser, e vi, e ouvi. Contemplo o mistério das margens da vida e ele existe à minha face, oculto e deslumbrante. As coisas existem no fulgor da luz, agitam-se um pouco na agitação do ar. Estou de fora, não sabem que eu as olho e escuto. O mistério abre-se diante dos meus olhos e um momento assisto à revelação do ser. Não contavam comigo e cumpriam-se por si na obscuridade de existirem. Não têm porquê nem para quê no absoluto com que são. Mas eu vi e ouvi. A luz, o som. E imediatamente teci sobre eles uma rede que os aprisionasse no meu sabê-lo e eles existissem na criação do meu entendimento. É uma rede que os envolve de todo o lado como um voo. Mas eles trespassam-na sem entenderem que eu entenda. A minha única atitude sensata é a da humildade. ficar à margem e olhar. Assistir ao milagre estúpido e ser estúpido com ele, sem uma palavra que o diga. E como Deus que agora sou, achar apenas que tudo é bom..." Vergílio Ferreira

2003/10/20

DOR DE CORNO
“Como se pode ser tão estúpida? Estou cansada de esperar pelo que não vem. Estou farta de me enganar, de te perguntar o que já sei, é claro que não, é claro que não gosta de mim... Se gostasse dizia, e eu sentia. Para que justificar o injustificável, tenho de aceitar. Que sinto perante isso? Raiva, por enquanto, amanhã tristeza, depois dor. Não percebo, não compreendo, o que tenho de errado? Diz-me, preciso saber... ninguém me vê, ninguém se dá ao trabalho de uma vez na vida olhar para mim com olhos de ver, eu que me esforço por ver os outros, mesmo os que não quero, os que não gosto, os que não amo, e a mim alguém me vê. Só quando não sou eu? Só quando berro? Só quando fodo?
FODA-SE, estou cansada mesmo, quero devolver-me a mim, não quero esperar mais... não posso, nem quero a amizade dele, não me chega e nem sei se é boa... Queria o amor, nunca disse quero, porque não dizemos quero quando sabemos que não podemos ter, por isso queria... as saudades são intercaladas com dor, raiva?
Não sei descrever, com qualquer coisa da qual não gosto e isso faz com que goste pouco de mim.
Há amor por aí? Algures? E para mim? 5 anos quase sem nada... uma vida inteira sem nunca me ter sentido amada por um homem... inacreditável não é? Mas é verdade... se alguém me amou não o disse, os que o disseram eu não o senti, nunca o senti... e cada vez sinto mais que o tempo urge, que é tarde demais. E as relações hoje em dia são de doidos... merda, porra, caralho, e todas as asneiras que existam.
Como sair de mim, de dentro de mim, estou presa e a sufocar, pensamentos iguais e idiotas a toda a hora.

Agora mais calma, a verdade é que tenho saudades, sinto a falta dele e queria que ele sentisse a minha e parece-me que não... a ideia de ser só uma queca não me agrada, e é já um hábito. Queria mais, muito mais... on my own, always on my own, é tão dificil, custa tanto, estou sick and tyred of being alone e de me iludir e desiludir, e sei lá, preciso de amor, e queria-o e nem sei, e preciso de ti e da tua força e da tua verdade e das tuas festas e de chorar no ombro de alguém e de me entregar sem medos de ser rejeitada e poder ficar e amar e ser amada e não secar, não desistir, não amargar mais e não sei quanto tempo mais resisto, longa a travessia do meu deserto... porque? Explica-me, gostava tanto de entender. Mata-me de amor mas não me mates a esperança... como é o olhar de quem nos ama? Como se sente? O que se vê? Algum dia o vou ver... olhar nos olhos de alguém e sentir ele ama-me, é isso que me está a dizer. Choro, sei que não gostas que chore, mas ajuda, a libertar a dor e ela é grande demais para estar toda cá dentro e sempre, não aguento, sou fraca eu sei por isso choro. Nem sequer tenho procurado nada, não tenho mesmo, aconteceu assim do nada faz hoje um mês, será que ele se lembra disso, da data. E levei-o a sério, ele com os copos, conversa de engate e eu a levá-lo a sério, a acreditar que era especial, que isso não é uma coisa que se diz assim do pé para a mão, em qualquer noite, sempre a julgar os outros iguais a mim, nunca disse isso assim a ninguém...” Esmeralda

MORTE
"Todos sabemos que somos mortais. Mas só de vez em quando alguém invisível nos toca inesperadamente no ombro e então vemos a certeza da morte" Vergílio Ferreira

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